domingo, 19 de junho de 2011

“ONDE ME PERCO E ONDE ME ACHO”.

Faltam poucos dias para a entrega do trabalho final do meu 2º ano e ainda não consegui realizá-lo.


Desde janeiro faço esboço, inicio uma frase mas nada sai. Hoje precisa ser feito!


A pergunta que me faço desde janeiro é: quando me perco e quando me acho? E pouco tempo atrás descobri que o tema na realidade é onde me perco e onde me acho.O mesmo aconteceu no trabalho do primeiro ano: meu corpo


Então, resolvi começar por aí: registrar a diferença entre o onde e o quando.


A diferença é sutil na confecção do trabalho mas no significado, nem tanto!


Onde - seria o local; quando - seria em que momento.


E hoje ao “engrenar” na escrita e ao olhar mais uma vez a folha de solicitação,vejo que já me perdi aqui, já que o trabalho é “ONDE ME PERCO E ONDE ME ACHO”.


Então já comecei a me perder nas palavras. E percebi que me perco demais nas minhas próprias palavras, muitas vezes ditas e seguidas ao pé da letra só por que já as falei, assim como me perco nas palavras alheias, dando a elas muitas vezes, maior atenção e valor que deveria.


E partindo das palavras, me perco nos relacionamentos, me perco no desejo do outro, na omissão do meu desejo, no querer controlar, na falta de controle.


Perco-me no vazio, perco-me no stress e na enorme ansiedade.


Perco-me na comida, no agradar ao outro, no falar e no fazer demais.


Perco-me na impulsividade, na agressividade, no corpo tora, na minha loucura.


E ao reler a que já escrevi, percebo que perco-me no apontar o que tenho de pior e não valorizar o que tenho de melhor.


Perco-me na busca de uma perfeição que não existirá nunca, num rigor excessivo e numa cobrança comigo mesma.


Perco-me no fazer demais, no fazer de menos, no calar demais, no calar de menos.


Perco-me na mente inquieta, na respiração superficial, no pouco sono.


Perco-me na raiva, na teimosia, na paixão, na dúvida.


Perco-me nos limites. No 8 e no 80. Perco-me no ser boa demais para os outros e má demais para mim.


Perco-me quando me sinto invadida, ignorada, não ouvida.


Perco-me no beijo gostoso, no orgasmo,no prazer, no errar, no trancar, nas couraças.






E onde me acho?
No olhar pra mim mesma, no fazer o que manda a minha intuição, no coração, no que o corpo pede.

Acho-me no comer nem demais nem de menos, no me relacionar respeitando meus limites, no fazer o necessário e no não fazer tudo.


Acho-me no sorriso, no escutar, no respirar, no amar, no beijo, no meu quarto, no prazer, no seu ouvida, na Saberj, nos amigos verdadeiros, na música, na dança, na yoga, no sentir meu corpo, no caminhar no meu ritmo, na minha terapia, no perdão, na dor, na natureza.


Acho-me no amor, no descanso, no olhar, no sentir a natureza, na aceitação de mim mesma, no espaço entre o 8 e o 80.


Acho-me no equilíbrio! Mas como tem sido difícil me achar no equilíbrio!


Acho-me também na raiva, na busca por compreendê-la, nas emoções , na tora e especialmente tenho me achado na minha loucura.


Ao solicitar a uma amiga para me ajudar a digitar, perguntei a ela o que sentiu ao ler.


E a resposta foi: me achei inteira em você!


Pensando sobre isso, percebi o quanto me acho nas crianças que identifico com a minha criança, o quanto me acho naqueles que cuido ao atender com a Arteterapia.


Concluindo todo este pensar, resumo que,me acho no outro, no equilíbrio ( no espaço entre o 8 e o 80) , no reflexo de mim mesma. E percebi que em todos esses lugares que me perdi e ainda me perco, me achei e ainda me acho.


Precisei me perder nesses lugares para poder neles mesmos me achar!